Presidente do Banco Central Alerta para Necessidade de Manutenção da Selic em Nível Restritivo Diante de Inflação Desancorada - Investimentos e Notícias Presidente do Banco Central Alerta para Necessidade de Manutenção da Selic em Nível Restritivo Diante de Inflação Desancorada - Investimentos e Notícias
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Presidente do Banco Central Alerta para Necessidade de Manutenção da Selic em Nível Restritivo Diante de Inflação Desancorada

  • 11/08/2025 - 12h01
  • Atualizado 4 meses atrás
  • 4 min de leitura

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, disse nesta segunda-feira que o período que vai do final de 2025 a 2026 demandará vigilância da autoridade monetária diante de expectativas de inflação desancoradas, enfatizando ser preciso manter a taxa Selic em patamar bastante restritivo por um tempo prolongado.

Em evento promovido pela Associação Comercial de São Paulo, Galípolo afirmou que a “continuidade da interrupção” no ciclo de alta de juros permite ao BC olhar os sinais da economia para corroborar a visão de que o patamar da Selic está restritivo o suficiente para levar a inflação à meta.

“As expectativas continuam desancoradas em um patamar que é bastante incômodo para o BC e que, talvez, ao longo do final de 2025 para 2026, vai demandar a vigilância do Banco Central, como a gente vem fazendo”, disse.

“E por isso que a gente vem repetindo que demanda a gente manter uma taxa de juros num patamar bastante restritivo, como nós colocamos, por um tempo prolongado”, acrescentou, citando um aumento de riscos e incertezas.

O BC decidiu em julho manter a Selic em 15%, prevendo a manutenção da taxa nesse patamar por período prolongado, sem dar sinalização sobre o momento em que poderia eventualmente iniciar um ciclo de corte nos juros.

Ao iniciar sua fala na reunião, Galípolo alertou que não passaria nenhuma mensagem diferente da já presente nas comunicações oficiais do Banco Central.

Após afirmar que a autarquia ainda não vê as expectativas de inflação de mercado a médio e longo prazo convergirem para a meta, ele destacou que a maior parte dos erros dos economistas nas projeções do boletim Focus para a inflação é para baixo, no sentido de subestimar a aceleração dos preços à frente.

“O que a gente tem assistido é que o Focus tem, até pelas questões que a gente falou de estar esperando um PIB mais baixo, as projeções têm subestimado a inflação, não superestimado”, disse.

O Focus mais recente, publicado pelo BC nesta segunda, prevê inflação de 5,05% neste ano, de 4,41% em 2026 e de 4,00% em 2027, acima do centro da meta contínua de 3% em todos os anos.

Galípolo ainda reafirmou que um dos temas centrais para o Brasil é o debate sobre como normalizar os canais de transmissão da política monetária, ressaltando que o entupimento desses canais é um problema estrutural de décadas, não uma perda recente de potência do instrumento de juros.

Para ele, a solução para esse problema demandará tempo e uma sucessão de reformas.

Em outra frente, o presidente do BC afirmou que a potência do canal fiscal tem surpreendido nos últimos anos. Para ele, um mesmo nível de gasto do governo tem gerado mais crescimento econômico e surpreendido economistas.

Tarifas

No evento, Galípolo disse que a baixa dependência comercial do Brasil em relação aos Estados Unidos, antes vista como desvantagem, foi considerada uma proteção após o início da guerra tarifária por Donald Trump, ponderando que há agora uma visão crescente sobre risco de desaceleração da atividade no Brasil com a alíquota de 50%.

O presidente do BC afirmou que já em janeiro a autarquia incluiu em seu balanço de riscos para a inflação uma possibilidade de a guerra comercial naquele momento prometida por Trump produzir uma perda de dinamismo econômico.

“Esse cenário, que a gente anuncia lá em janeiro, foi gradativamente se corroborando e confirmando como uma visão por parte dos analistas”, disse.

De acordo com o presidente do BC, após o Brasil ser alvo da tarifa de 50%, os membros da autarquia têm percebido no Questionário Pré-Copom encaminhado pelo BC a economistas o entendimento, por parte dos respondentes, de que pode haver um aumento de oferta no mercado brasileiro com a tarifa dos EUA, o que tenderia a reduzir preços temporariamente.

Segundo ele, o questionário também trouxe visões sobre riscos de perda de valor do real no caso de acirramento da disputa comercial, além do impacto sobre a atividade econômica, que poderia ser perene.

De acordo com Galípolo, os economistas ouvidos pelo BC ainda não incorporaram esses efeitos em seus cenários e projeções.

(Com Reuters)

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