O Brasil habilitou os primeiros cinco estabelecimentos para exportação de DDGs (grãos secos de destilaria), coproduto da indústria de etanol de milho, além de dez unidades para exportar sorgo à China, informou o Ministério da Agricultura nesta segunda-feira.
A China é o maior importador de soja do Brasil e vem buscando diversificar a oferta de insumos para a produção de ração animal, além das origens, uma vez que a disputa comercial com os Estados Unidos limitou embarques do sorgo norte-americano ao mercado chinês neste ano.
“Com as habilitações, o Brasil passa a contar com um canal regular de embarques para o maior importador global de grãos e insumos para ração animal, ampliando a previsibilidade dos contratos e criando espaço para o aumento do volume exportado nas próximas safras”, afirmou o ministério em comunicado.
A oferta de DDGs ou farelo de milho — matéria-prima da ração animal — tende a aumentar no Brasil à medida que a produção de etanol de milho também registra forte crescimento. Na safra atual (2025/26), a fabricação do biocombustível a partir do cereal deverá crescer 22,6%, segundo a estatal Conab.
O Brasil exportou mais de 790 mil toneladas de farelos de milho em 2024 versus 600 mil toneladas em 2023, segundo dados do Ministério da Agricultura. O Vietnã é principal destino dos embarques brasileiros.
A habilitação da exportação segue o Protocolo de Proteínas e Grãos Derivados da Indústria do Etanol de Milho, em maio deste ano, além da conclusão dos modelos de certificado fitossanitário acordados entre as autoridades dos dois países.
A autorização para o DDG contempla quatro unidades em Mato Grosso, maior produtor de etanol de milho do Brasil, e uma no Mato Grosso do Sul.
Sorgo
No caso do sorgo, foram habilitadas para exportar à China quatro unidades no Mato Grosso, quatro em Minas Gerais, uma em Rondônia e uma na Bahia, após a assinatura de protocolo fitossanitário em novembro de 2024.
A China é responsável por mais de 80% das importações globais de sorgo, que somaram mais de US$2,6 bilhões no último ano, relatou o ministério.
A habilitação de empresas brasileiras ofereceria uma alternativa aos chineses, que antes tinham os EUA como principal origem do produto — a guerra comercial limitou embarques, embora uma carga norte-americana tenha sido enviada recentemente à China, após reunião entre os presidentes Xi Jinping e Donald Trump.
Já as primeiras cargas de sorgo do Brasil para a China poderiam ser embarcadas ainda este ano, afirmou em setembro um funcionário do Ministério da Agricultura brasileiro.
O comentário ocorreu após a visita de uma delegação chinesa no início de agosto para se reunir com produtores de sorgo no Brasil.
A produção de sorgo do Brasil deverá crescer 8,4% em 2025/26, para 6,6 milhões de toneladas, segundo projeção da Conab, após forte crescimento nos últimos anos.
Mas as exportações não passaram de 200 mil toneladas no ano passado, conforme registro do ministério. O sorgo também pode ser usado como matéria-prima pela indústria de etanol fabricado a partir de grãos.
(Com Reuters)