Até o próximo ano, a China vai ultrapassar a Austrália como a maior mineradora do mundo de bateria de metal de lítio, segundo uma previsão da consultoria Fastmarkets, e a expectativa é de que sua proeza no mercado cresça até 2035, ainda que muitos produtores chineses sigam não sendo lucrativos.
As projeções são os dados mais recentes que ressaltam a presença dominante de Pequim em toda a cadeia de suprimento global de metais, sendo a China a mineradora ou refinadora dominante de mais da metade dos minerais considerados críticos pelo U.S. Geological Survey.
“A China tem uma estratégia muito clara para desenvolver seus recursos minerais”, disse o chefe de pesquisa de matérias-primas para baterias da consultoria, Paul Lusty, à Reuters nos bastidores da Conferência de Matérias-Primas para Baterias e Lítio da Fastmarkets em Las Vegas.
A Austrália tem sido a maior mineradora de lítio do mundo desde que tomou esse lugar do Chile em 2017, mas as mineradoras australianas têm reduzido a produção ou atrasado as expansões em meio a uma queda global nos preços do lítio.
Previsões de Produção de Lítio
- Até o próximo ano, as mineradoras chinesas devem extrair de 8.000 a 10.000 toneladas de lítio a mais do que as rivais australianas, de acordo com a previsão da Fastmarkets, o que representaria um salto em relação a 2023, quando a China era o terceiro maior produtor de lítio do mundo.
- Até 2035, as mineradoras chinesas provavelmente extrairão 900.000 toneladas de lítio, em comparação com as 680.000 toneladas da Austrália, as 435.000 toneladas do Chile e as 380.000 toneladas da Argentina, segundo a previsão.
Grande parte do crescimento da China vem e provavelmente deve continuar a vir da mineração de um tipo de mineral conhecido como lepidolita, encontrado na parte sul do país.
A mineração de lepidolita na China é mais cara do que a extração de lítio de salmouras salgadas e pode causar mais danos ambientais devido a subprodutos tóxicos, como tálio e tântalo, que poluem o abastecimento de água.
As mineradoras de lítio da China têm se mostrado reticentes em cortar a produção devido ao apoio do governo chinês, à “pressão” das prefeituras locais para manter as operações — e, portanto, os empregos locais — e ao desejo de manter a participação no mercado à medida que a demanda pelo metal aumenta, disse Lusty.
“Essa produção contínua — apesar da falta de lucratividade no mercado — começa a fazer muito mais sentido quando se consideram todos esses fatores”, disse ele.
A gigante chinesa de baterias CATL, uma das maiores produtoras de lepidolita, interrompeu em setembro do ano passado a produção em uma mina estratégica, antes de retomar a produção em fevereiro.
Além da mineração, a China tem sido, há anos, o maior refinador mundial do metal ultraleve, com cerca de 70% de participação no mercado. As refinarias de lítio transformam o metal em uma forma que pode ser usada para fabricar cátodos para baterias. Os esforços de outros países para aumentar seu próprio refino de lítio devem reduzir a fatia de mercado da China para 60% até 2035, segundo as previsões da Fastmarkets.
A dominância de mercado da China também se estende à cadeia de suprimentos para veículos elétricos, com mais de 60% das vendas globais de elétricos no ano passado ocorrendo no país, segundo dados da fabricante de baterias LG Energy Solutions.
(Com Reuters)