O dólar à vista registrava leves baixas contra o real nesta segunda-feira, com os investidores ainda atentos aos desdobramentos das medidas comerciais do governo dos Estados Unidos contra o Brasil, enquanto no exterior a moeda norte-americana também caía ante a maior parte das demais divisas.
Às 10h22, o dólar à vista caía 0,36%, a R$5,5676 na venda.
Na B3, o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento tinha baixa de 0,27%, a R$5,5775.
Em entrevista à CBN nesta manhã, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva insistirá na negociação comercial com os EUA, mas não descarta a possibilidade do prazo de 1º de agosto para imposição de tarifas de 50% sobre os produtos brasileiros chegar sem que o Brasil tenha recebido uma resposta dos norte-americanos.
Haddad afirmou ainda que o governo avalia implementar instrumentos de apoio a setores da economia impactados pela tarifa dos Estados Unidos, acrescentando que não necessariamente haverá impacto fiscal com a implementação dessas medidas.
“Pode ser que nós tenhamos que recorrer a instrumentos de apoio a setores que injustamente estão sendo afetados”, disse ele, sem detalhar as possíveis ações.
Na sexta-feira, na mais recente medida contra o Brasil, os EUA restringiram vistos para autoridades do Judiciário brasileiro e seus familiares imediatos, citando novamente objeções aos processos legais contra o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Possíveis Novas Ações dos EUA
- Promessa de novas sanções contra o Brasil ao longo da semana.
- Aumento das tarifas para 100% cogitado pela imprensa.
- Imposição da Lei Magnitsky para algumas autoridades.
- Proibição de aviões brasileiros sobrevoarem os EUA.
- Desligamento do GPS e descredenciamento do sistema Swift.
“Não é possível saber o que acontecerá. Mas o cenário piorou muito e escala rapidamente. Observamos que alguns bancos estrangeiros retiraram recomendações de venda de dólar e aplicações em taxa prefixada”, acrescentou.
Na sexta-feira, o dólar à vista fechou em alta de 0,72%, a R$5,5875.
Do lado norte-americano, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, afirmou nesta segunda-feira que o governo está mais preocupado com a qualidade dos acordos comerciais do que com o tempo.
“Não vamos nos apressar para fechar acordos”, disse Bessent em uma entrevista à CNBC, referindo-se às negociações com os diversos países. Questionado se o prazo de 1º de agosto para os países fecharem um acordo comercial poderia ser prorrogado no caso de quem já está envolvido em negociações produtivas com Washington, Bessent afirmou que o presidente dos EUA, Donald Trump, é que decidirá sobre isso.
Às 10h24 o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — caía 0,32%, a 98,084.
O Banco Central fará nesta sessão um leilão de até 10.500 contratos de swap cambial tradicional para fins de rolagem do vencimento de 1º de agosto de 2025.
(Com Reuters)