O dólar ampliava as perdas do dia nesta quinta-feira, depois que um relato de um telefonema entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o líder da China, Xi Jinping, fomentou o apetite por moedas de país emergentes, na esteira do avanço dos preços do petróleo no exterior.
Os investidores também avaliavam dados da maior economia do mundo, que reforçaram a percepção de desaceleração no mercado de trabalho.
Às 11h34, o dólar à vista caía 0,87%, a R$5,5958 na venda.
Na B3, o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento tinha baixa de 0,57%, a R$5,631 na venda.
A agência de notícias estatal chinesa Xinhua informou mais cedo que Xi e Trump conversaram nesta quinta a pedido do presidente dos EUA, o que elevava a expectativa de que as duas maiores economias do mundo possam chegar a um entendimento para resolver o impasse comercial.
A ligação ocorre após uma troca de acusações nos últimos dias entre Washington e Pequim sobre o suposto descumprimento de uma trégua comercial acordada em Genebra no mês passado. A Casa Branca vinha sinalizando que uma conversa entre os líderes poderia ocorrer nesta semana.
A notícia foi bem recebida em mercados emergentes, que têm relações comerciais profundas com a China e são sensíveis ao desempenho da economia chinesa, impulsionando divisas como o real, o rand sul-africano e o peso chileno.
Os preços do petróleo, importante produto da pauta exportadora de muitos emergentes, também disparavam diante da expectativa de que o telefonema possa ajudar a arrefecer as tensões comerciais.
“(A conversa) ajuda no otimismo de investidores de que os dois países vão manter uma trégua comercial e não vão voltar a aplicar níveis proibitivos de tarifas… isso está favorecendo o desempenho de commodities e de moedas de países exportadores de produtos primários mais ligados à China”, disse Leonel Mattos, analista de Inteligência de Mercado da StoneX.
O dólar atingiu a mínima da sessão, a R$5,5898 (-0,98%), às 10h41, conforme investidores digeriam a notícia sobre a ligação.
A semana tem sido marcada ainda pela percepção de que a política comercial errática dos EUA está começando a prejudicar a economia norte-americana, com uma série de dados econômicos para o mês de maio apresentando resultados mais fracos do que o esperado, acirrando as preocupações de investidores.
Na véspera, um relatório da ADP sobre o setor privado mostrou que foram criados muito menos vagas de emprego do que o esperado em maio, enquanto uma pesquisa do Instituto de Gestão de Fornecimento (ISM) revelou que o setor de serviços teve contração no mês passado.
Dados Econômicos dos EUA
- Pedidos semanais de auxílio-desemprego subiram para 247.000 na última semana.
- Acima dos 235.000 pedidos projetados em pesquisa.
Os temores de que os EUA serão os principais prejudicados da guerra comercial de Trump têm gerado a fraqueza do dólar no exterior, com a moeda norte-americana rondando os menores patamares em vários anos e impulsionando divisas de países emergentes.
O foco dos mercados estará agora em torno da divulgação do relatório de emprego do governo, na sexta-feira.
O índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — caía 0,31%, a 98,490.
(Com Reuters)