O dólar à vista oscilava pouco ante o real nesta sexta-feira, a caminho de fechar a semana com perdas, à medida que investidores analisam novos dados sobre o PIB brasileiro e aguardam relatório de emprego nos Estados Unidos e comentários do chair do Federal Reserve, Jerome Powell.
Às 9h35, o dólar à vista subia 0,11%, a R$5,7659 na venda. Na semana — encurtada pelo feriado do Carnaval — a moeda acumula queda de 2,55%.
Na B3, o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento tinha baixa de 0,16%, a R$5,785 na venda.
Em uma sessão repleta de dados e comentários de autoridades, os investidores iniciavam o dia com a divulgação de dados sobre o PIB do Brasil, com o IBGE informando que o país cresceu menos do que o esperado no quarto trimestre de 2024, a 0,2%, de 0,7% no trimestre anterior, em dado revisado para baixo.
Economistas consultados projetavam que a economia brasileira expandiria 0,5% no período de outubro a dezembro do ano passado, ante o dado anterior à revisão de alta de 0,9% no trimestre de julho a setembro.
No ano, a atividade econômica do Brasil cresceu 3,4%.
O resultado do PIB pouco influenciava as negociações no mercado de câmbio brasileiro, com o dólar acompanhando o movimento diante de outras moedas emergentes no exterior, que também operavam perto da estabilidade.
Fatores de Volatilidade no Mercado
- Divulgação de dados de emprego nos EUA.
- Incerteza sobre planos tarifários do presidente norte-americano, Donald Trump.
O governo-americano divulgará às 10h30 o relatório de emprego fora do setor agrícola para fevereiro, com expectativa de que os empregadores do país criaram 160.000 postos de trabalho no mês, ante 143.000 vagas em janeiro.
Um resultado abaixo do esperado e menor do que o dado de janeiro pode aumentar os temores recentes de investidores com uma desaceleração da economia norte-americana, na esteira de pesquisas e relatórios recentes que mostraram recuo na confiança dos consumidores e das empresas.
No momento, operadores precificam três cortes de juros pelo Fed neste ano, uma alteração relevante em relação há apenas algumas semanas atrás, quando chegaram a projetar apenas uma redução de juros em 2025.
Investidores também seguem acompanhando os anúncios e decisões de Trump sobre a política comercial dos EUA. O presidente tem feito constantes ameaças de tarifas sobre parceiros comerciais, mas recuado repetidamente, gerando incerteza nos mercados globais.
Em sua mais recente decisão, Trump isentou por um mês os produtos que se enquadrem em um pacto comercial da América do Norte das de tarifas de 25% que ele havia imposto anteriormente sobre Canadá e México.
“Ainda há o senso de que as tarifas dos EUA serão reduzidas… Enquanto isso, os dados domésticos continuam sendo deixados de lado devido à incerteza externa e aos receios com o cenário fiscal local”, disse Eduardo Moutinho, analista de mercados do Ebury Bank.
A expectativa é que o chair do Fed possa abordar os temas globais quando discursar em uma conferência em Nova York, às 14h30 (horário de Brasília), antes do início do período de silêncio para a próxima reunião do banco central dos EUA, em 18 e 19 de março.
O índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — caía 0,40%, a 103,770.
(Com Reuters)