O dólar à vista subia ante o real nesta sexta-feira, mas estava a caminho da terceira queda semanal consecutiva, à medida que os investidores ajustavam suas posições e realizavam lucros em sessão de agenda esvaziada e ao fim de uma semana marcada por decisões de bancos centrais e incertezas geopolíticas.
Às 9h44, o dólar à vista subia 0,52%, a R$5,7060 na venda. Na semana, a moeda acumula queda de 0,68%.
Na B3, o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento tinha alta de 0,52%, a R$5,718 reais na venda.
O destaque da semana foi a reunião do Federal Reserve, que manteve a taxa de juros inalterada na quarta-feira e reforçou sua projeção — segundo a mediana das previsões dos membros — de que cortará os juros mais duas vezes até o fim do ano.
Em coletiva de imprensa após a decisão, o chair Jerome Powell voltou a dizer que o banco central dos Estados Unidos não tem “pressa” para reduzir os juros, mesmo diante do reconhecimento pela própria instituição de que o país deve crescer menos em 2025 do que o esperado anteriormente.
Essas sinalizações fortaleceram a divisa dos EUA no exterior, com o dólar recuperando algumas das perdas recentes acumuladas antes seus pares fortes e emergentes. Na quinta-feira, o dólar fechou em alta de 0,49% no Brasil, a R$5,6763.
Um dia antes, a divisa norte-americana havia fechado em R$5,6486, a menor cotação desde 14 de outubro de 2024, quando terminou em R$5,5827.
No início da semana, o apetite por risco dos investidores marcou as negociações nos mercados globais, uma vez que os agentes passaram a demonstrar maior otimismo pelo fim da guerra na Ucrânia, após telefonema na terça entre o presidente dos EUA, Donald Trump, e o presidente russo, Vladimir Putin.
Na conversa, os dois presidentes chegaram a um acordo para um cessar-fogo de 30 dias em ataques russos à infraestrutura de energia da Ucrânia.
Os mercados também têm avaliado positivamente os planos de aumento dos gastos na Alemanha com defesa, com a câmara alta do Parlamento do país concluindo nesta sexta a aprovação de um pacote histórico que flexibiliza as regras de endividamento do país e cria um fundo de 500 bilhões de euros para investimentos.
Foco dos Investidores
- Na próxima semana, o foco dos investidores deve se voltar novamente às ameaças tarifárias de Trump, uma vez que se aproxima a data de 2 de abril, quando ele prometeu que anunciará uma série de tarifas recíprocas — taxas que espelharão barreiras impostas por parceiros contra produtos dos EUA.
- “A gente ainda espera que o dólar feche a semana com mais uma queda, muito por conta de todas as circunstâncias externas, particularmente as incertezas nos EUA sobre as políticas tarifárias”, disse Dyego Galdino, CEO da Global 360 Invest.
- “Essa questão das tarifas é o que mais deve movimentar os mercados nas próximas semanas”, completou.
Nesta sexta, o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — subia 0,12%, a 103,910.
No cenário doméstico, a semana foi marcada pela decisão do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom), que elevou a taxa Selic em 1 ponto percentual, a 14,25% ao ano, indicando que fará um aumento de menor magnitude no próximo encontro, em maio.
A medida aumentou ainda mais o diferencial de juros entre Brasil e EUA, o que tende a favorecer o real ao atrair mais recursos de investidores estrangeiros.
O governo federal, por sua vez, enviou nesta semana ao Congresso o projeto de lei que aumenta a faixa de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$5.000, um projeto que tem gerado receios fiscais por parte do mercado caso não seja devidamente compensada.
“A gente ainda vê aquele cenário de o governo afirmando que vai ter compromisso com as metas fiscais e o mercado cético em relação a essa possibilidade. Esse cenário de maior percepção de riscos fiscais tende a pressionar para cima a taxa de câmbio”, disse Leonel Mattos, analista de Inteligência de Mercado da StoneX.
No ano, o dólar acumula baixa de 7,65% ante o real.
(Com Reuters)