A Embraer anunciou nesta quinta-feira que vai acelerar estudos para que suas aeronaves possam voar com combustível de aviação sustentável (SAF, na sigla em inglês) inteiramente de origem renovável, sem mistura com combustíveis fósseis.
A companhia afirmou em comunicado à imprensa que comprou um lote 100% SAF da empresa de combustíveis Vibra, que será usado para intensificação de testes “em torno da reação de diferentes materiais presentes nos aviões durante o contato prolongado com o biocombustível”.
“Com mais esta ação, ficamos mais próximos da meta de ter nossas aeronaves aptas a operar com combustível 100% SAF até 2030”, disse o diretor global de ESG da Embraer, André Tachard, no comunicado. Atualmente, as aeronaves da fabricante brasileira são compatíveis com mistura de até 50% de SAF.
O combustível usado nos testes pela empresa no Brasil é importado da Bélgica, afirmou a Embraer.
Segundo a companhia brasileira, o SAF tem potencial para reduzir emissões de carbono na indústria aeroespacial em até 80% ante o combustível tradicional.
Sonho Distante
Quase 20 anos depois que o primeiro voo comercial abastecido parcialmente com biocombustíveis fez o curto trajeto de Londres a Amsterdã, os planos do setor aéreo de se tornar “verde” antes que reguladores comecem a penalizar companhias aéreas são pouco mais do que um sonho distante.
Embora as companhias aéreas tenham anunciado 165 projetos SAF nos últimos 12 anos, apenas 36 foram concretizados, em meio a desafios sistêmicos que assolam o setor de SAF.
- Dos projetos restantes, 23 foram abandonados, 27 estão atrasados ou em espera indefinida, 31 ainda não produziram nenhum combustível e 4 são acordos de crédito SAF, nos quais nenhum combustível físico é entregue.
- Para os outros 44 projetos, não foi possível encontrar nenhuma atualização pública desde seus anúncios iniciais.
No momento, o SAF custa de três a cinco vezes mais do que o combustível de aviação e alguns executivos de petrolíferas argumentam que a demanda das companhias aéreas é limitada pelos preços atuais.
A aviação é responsável por 2,5% das emissões globais de gases que aquecem o planeta, como o dióxido de carbono. Esse número deve aumentar diante de previsões de que o tráfego aéreo vai mais do que dobrar em relação aos níveis de 2019 até 2050 e o uso de combustível aumente 59%, de acordo com o grupo de defesa ambiental Transport & Environment (T&E).
(Com Reuters)