O governo brasileiro estuda destinar cerca de R$30 bilhões em crédito com condições diferenciadas para apoiar empresas nacionais impactadas pelo aumento de tarifas dos Estados Unidos, disseram nesta quinta-feira três fontes com conhecimento direto das discussões.
Os recursos viriam do Fundo de Garantia à Exportação (FGE), administrado pelo BNDES. Segundo as fontes, o fundo possui atualmente cerca de R$50 bilhões, é superavitário e tem sido pouco utilizado nos últimos anos.
“Esse é um fundo superavitário e líquido. A demanda pela garantia FGE caiu muito nos últimos anos”, disse uma das fontes. “Os detalhes estão sendo definidos e devem sair até a semana que vem”, acrescentou.
O plano prevê que os tomadores dos empréstimos com condições especiais terão que manter os empregos, como contrapartida para o acesso aos recursos.
“O objetivo central dessa linha é preservar empregos e evitar demissões”, disse uma das fontes. “Usualmente (a exigência de manutenção dos empregos) se dá pelo prazo da linha. Até que ela seja amortizada, o compromisso existe”, acrescentou a fonte sob a condição de anonimato.
Mais cedo, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin, disse que o plano de contingência do governo para enfrentar as tarifas dos EUA sobre produtos brasileiros deve ser anunciado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva até a próxima terça-feira.
Trump impôs uma tarifa de 50% sobre os produtos brasileiros, com níveis mais baixos para setores como aeronaves, energia e suco de laranja, vinculando a medida ao que ele chamou de “caça às bruxas” contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, um aliado que é réu em um processo por tentativa de golpe de Estado para anular sua derrota nas eleições de 2022.
Condições do Crédito
- Expectativa de crédito com juros reduzidos e prazo de carência.
- Micro, médias e pequenas empresas terão condições de juros diferenciadas.
- Juros menores para MPMEs e um pouco maiores para grandes empresas.
Além do uso do FGE, outros programas de crédito estão sendo desenhados pelo governo, segundo duas das fontes. Um dos programas seria voltado para o agronegócio brasileiro, um dos setores mais dinâmicos da economia nacional.
O BNDES adotou em 2024 um programa emergencial de socorro ao Rio Grande do Sul após o Estado ser afetado por fortes chuvas em abril daquele ano.
Segundo o banco de fomento, de junho de 2024 até abril deste ano, o BNDES aprovou R$32,4 bilhões à recuperação econômica do Rio Grande do Sul. O valor corresponde a 29% do total destinado pelo governo federal às medidas emergenciais.
(Com Reuters)