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Indústria Siderúrgica Brasileira Eleva Perspectivas de Consumo e Importações em 2023; Gerdau (GGBR4) Expressa Preocupações com Competição Desleal e Impactos Econômicos

  • 27/08/2025 - 14h41
  • Atualizado 4 meses atrás
  • 5 min de leitura

A indústria siderúrgica brasileira reviu nesta quarta-feira suas estimativas para o desempenho do setor neste ano, elevando fortemente as perspectivas para consumo aparente e importações, enquanto as projeções para produção e vendas internas ficaram praticamente inalteradas.

O setor agora estima que o consumo aparente de aço no Brasil este ano vai crescer 5%, para 27,4 milhões de toneladas, ante projeção feita no final de 2024 de expansão de 1,5%, segundo dados apresentados pelo Aço Brasil, que representa as siderúrgicas instaladas no país.

A estimativa para importações passou de alta de 11,5% para salto de 32,2%, chegando a 6,3 milhões de toneladas, o que é mais de 1 milhão de toneladas acima da capacidade de produção de uma usina como a Ternium Brasil, instalada no Rio de Janeiro.

“Estamos muito preocupados com o cenário. Houve crescimento de 40% na importação este ano”, disse o presidente do conselho diretor do Aço Brasil e presidente do conselho de administração da Gerdau, Andre Johannpeter, em entrevista a jornalistas.

“Estamos chegando no limite da indústria, que é essa ocupação de 65%. Começa a ficar inviável, começa a ter resultados ruins e é difícil competir”, disse o executivo, se referindo ao atual nível de ocupação da capacidade instalada das usinas siderúrgicas instaladas no Brasil.

Segundo dados do Aço Brasil, 65% do aço importado pelo país vem da China.

“É uma competição desleal e isso pode, sim, afetar empregos e investimentos que estão decididos, mas que podem ser adiados e até mesmo cancelados”, afirmou.

O Aço Brasil estimou anteriormente que os investimentos do setor siderúrgico entre 2025 e início de 2029 seriam de cerca de R$100 bilhões, mas essa conta deverá ser cortada nos próximos meses.

“Certamente vai ter uma redução dos R$100 bilhões”, disse o presidente-executivo do Aço Brasil, Marco Polo de Mello Lopes, na entrevista coletiva.

“O nome do jogo é previsibilidade e para 2026 todo mundo tem um ponto de interrogação…Falta previsibilidade em função das medidas que têm que ser tomadas em caráter emergencial”, disse o executivo, defendendo uma ação mais abrangente e veloz do sistema de defesa comercial do Brasil.

Investigações de Dumping

Atualmente, o setor tem junto aos órgãos de defesa comercial do Brasil sete investigações de dumping em andamento, das quais seis envolvem a China. Dessas sete, quatro já tiveram determinação preliminar positiva para prática desleal de comércio. Os produtos nessas investigações envolvem desde aço pré-pintado e folhas metálicas a laminados a frio e a quente e fio-máquina, além de laminados a quente inoxidáveis.

Segundo o levantamento do Aço Brasil, apenas em uma investigação, relacionada a folhas metálicas chinesas, houve aplicação de penalidade antidumping.

Enquanto isso, a previsão para produção de aço bruto no Brasil este ano foi revista de queda de 0,6% para recuo de 0,8%, a 33,6 milhões de toneladas. As vendas de material produzido no país passaram de estimativa de queda de 0,8% para recuo de 0,6%, para 21,14 milhões de toneladas, segundo o Aço Brasil.

Já a estimativa da entidade para exportações foi cortada pela metade, de alta de 2% para crescimento de 1%, a 9,7 milhões de toneladas, em meio às barreiras comerciais criadas este ano pelos Estados Unidos, um dos principais destinos do aço nacional.

“Não tem novo mercado de placa (de aço) no mundo para ser explorado”, disse o presidente-executivo do Aço Brasil.

Segundo ele, as negociações comerciais entre o país e os EUA estavam “indo muito bem” antes do tarifaço de 50% imposto por Donald Trump contra os produtos brasileiros, mas acabaram sendo bruscamente atingidas por disputas políticas.

“O governo brasileiro tinha conseguido a menor tarifa, que era a dos 10%, e aí o canal oficial de relação entre Brasil e EUA fechou completamente e a diplomacia não tem canal neste momento”, disse Lopes sem citar nomes.

Em meados deste mês, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, anunciou ter uma reunião marcada com o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, para discutir as tarifas, mas o encontro acabou sendo cancelado por iniciativa do governo norte-americano, segundo o ministro. Haddad afirmou na época que o cancelamento se deveu a uma ação de deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que busca apoio do governo de Donald Trump para seu pai, Jair Bolsonaro, que está sendo julgado por tentativa de golpe de Estado, entre outros crimes, no Supremo Tribunal Federal.

“Está tudo parado. Não tem perspectiva (de retomada das negociações comerciais) se não tiver descompressão dessas questões políticas”, afirmou o presidente-executivo do Aço Brasil.

(Com Reuters)

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