O Minerva, um dos maiores exportadores de carne bovina do mundo, deverá usar cerca de R$750 milhões que seriam destinados para a conclusão de uma aquisição de três unidades de carne bovina no Uruguai para pagamento de dívidas e redução da alavancagem, disse nesta terça-feira o CFO da companhia.
Ao ser questionado por jornalistas após evento com investidores, ele afirmou que a companhia mantinha os recursos em caixa, aguardando a aprovação das autoridades antitruste do Uruguai, o que acabou não acontecendo até este momento.
A empresa, que responde por 30% das exportações de carne bovina da América Latina — segundo informações do CEO –, afirmou na semana passada que a autoridade de defesa da concorrência do Uruguai decidiu negar a continuidade da venda de três fábricas da concorrente MBRF para a Minerva.
“Em termos planejamento, não muda nada”, acrescentou o CFO, ao comentar sobre os planos de crescimento.
A transação envolvendo os ativos no Uruguai fez parte de um negócio mais amplo entre as duas empresas, no qual a Minerva pretendia comprar um total de 16 unidades da MBRF (antiga Marfrig) na América do Sul, por R$7,5 bilhões.
Questionado se está desistindo da aquisição das unidades do Uruguai, se haveria alguma alternativa, o executivo disse que sempre tem. “Mas é uma posição que estamos estudando.”
Os diretores disseram ainda que a companhia brasileira, que realizou 20 aquisições em 20 anos, está concluindo a integração das outras 13 plantas compradas junto à MBRF no Brasil, Chile e Argentina.
Na América do Sul, a Minerva tem operações de carne no Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai, Colômbia e Chile.
Essa concentração de operações na região é vista como uma dificuldade para o crescimento via aquisições, enquanto a empresa no momento está focada na desalavancagem.
“Dentro dos antitrustes, devemos ter algumas limitações… mas a limitação principal não é essa, primeiro é capital…”, comentou o CEO, lembrando que a América Latina está saindo de uma participação de 40% nas exportações globais de carne bovina para 45%.
“Ou seja, são poucas as commodities que têm uma empresa com um peso que passamos a ter.”
Mais cedo, executivos disseram durante o evento que a Minerva considera que sua plataforma diversificada em vários países da América do Sul é uma oportunidade para ampliar negócios nos próximos anos, mesmo em um mundo com complexidades geopolíticas e diante da guerra tarifária iniciada pelo governo de Donald Trump.
(Com Reuters)