O Ministério Público do Trabalho (MPT) entrou nesta terça-feira com uma ação civil pública contra a montadora chinesa BYD por ter encontrado trabalhadores em situação análoga à escravidão e por suspeita de tráfico internacional de pessoas. Em dezembro do ano passado, 220 trabalhadores chineses foram encontrados em situação análoga à escravidão e vítimas de tráfico internacional de pessoas, afirmou o MPT. Eles foram contratados para construir a fábrica da BYD em Camaçari (BA). O MPT pede pagamento de ao menos R$257 milhões da BYD e das empreiteiras China JinJiang Construction Brazil e Tonghe Equipamentos Inteligentes do Brasil (atual Tecmonta Equipamentos Inteligentes Brasil), que prestavam serviços exclusivos para a BYD. O subprocurador-geral do MPT, Fabio Leal, disse que as negociações com as três empresas começaram no final de dezembro, mas as partes não chegaram a um acordo. Leal disse que os trabalhadores foram trazidos para o Brasil de forma irregular e receberam promessas de condições de trabalho que não foram cumpridas. Segundo o subprocurador, todos os trabalhadores chineses, que já retornaram à China, receberão quaisquer pagamentos relacionados ao processo no exterior, e as companhias no Brasil terão que fornecer um comprovante de pagamento. Leal acrescentou que um acordo ainda é possível, embora agora precise ser facilitado pelo tribunal. “Nossa ação está bem fundamentada, com diversas provas produzidas na fase de investigação”, disse o subprocurador. Procurada, a BYD não comentou o assunto de imediato.
Detalhes do Pedido do MPT
- Pagamento de dano moral individual equivalente a 21 vezes o salário contratual, acrescido de um salário por dia de cada trabalhador.
- Quitação de verbas rescisórias.
- Multa de R$50 mil “para cada item descumprido, multiplicado pelo número de trabalhadores prejudicado”.
A BYD atualmente é a maior marca de veículos chineses do Brasil, com vendas de 30.156 carros no primeiro quadrimestre, um crescimento de 37% sobre o desempenho de um ano antes, segundo dados da associação de concessionários, Fenabrave. (Com Reuters)