A OpenAI planeja usar o serviço de nuvem do Google, de propriedade da Alphabet, para atender às suas necessidades crescentes de capacidade de computação, uma colaboração surpreendente entre dois grandes concorrentes no setor de inteligência artificial.
O acordo, que vem sendo discutido há alguns meses, foi finalizado em maio.
O negócio é uma vitória para a unidade de computação em nuvem do Google, que passará a fornecer capacidade adicional de computação à infraestrutura existente da OpenAI usada para treinar e executar seus modelos de IA.
A iniciativa também ocorre em um momento em que o ChatGPT tem representado a maior ameaça em anos ao negócio de busca do Google, com executivos do Google afirmando recentemente que a corrida pela IA pode não ser um cenário de vencedor absoluto.
A OpenAI, o Google e a Microsoft não quiseram comentar. As ações da Alphabet subiam 2,1% na tarde desta terça-feira após a publicação da notícia. Já os papéis da Microsoft caíam 0,6%.
Em nota nesta terça-feira, analistas do Scotiabank chamaram o acordo de “algo surpreendente”, destacando as oportunidades de crescimento para a unidade de nuvem do Google, ao mesmo tempo em que expressaram cautela em relação à concorrência do ChatGPT.
“O acordo (…) ressalta o fato de que as duas empresas estão dispostas a ignorar a forte concorrência entre elas para atender às enormes demandas de computação. Em última análise, vemos isso como uma grande vitória para a unidade de nuvem do Google, mas (…) há preocupações contínuas de que o ChatGPT esteja se tornando uma ameaça cada vez maior ao domínio da busca do Google”, escreveram os analistas.
A parceria com o Google é a mais recente de várias manobras feitas pela OpenAI para reduzir sua dependência da Microsoft, cujo serviço de nuvem Azure era, até janeiro, o provedor exclusivo de infraestrutura de data center da OpenAI.
O Google e a OpenAI discutiram por meses um acordo, mas não puderam firmar um negócio antes devido ao vínculo exclusivo da OpenAI com a Microsoft. A Microsoft e a OpenAI também estão em conversas para revisar os termos de seu investimento multibilionário, incluindo a futura participação acionária que a Microsoft terá na OpenAI.
Para o Google, o acordo chega em um momento em que a big tech está expandindo a disponibilidade externa de suas unidades de processamento de tensor, ou TPUs, historicamente reservadas para uso interno. Isso ajudou o Google a conquistar clientes como as startups Safe Superintelligence e Anthropic, duas rivais da OpenAI criadas por ex-líderes da OpenAI, e a Apple.
A Alphabet também enfrenta pressão do mercado para demonstrar retornos financeiros sobre suas despesas de capital ligadas à IA, que devem atingir US$75 bilhões este ano, enquanto protege seus resultados das ameaças de ofertas concorrentes de IA, bem como da aplicação de leis antitruste.
A DeepMind, unidade de IA do Google, também concorre diretamente com a OpenAI e a Anthropic no desenvolvimento de melhores modelos e na integração desses avanços às aplicações.
A venda de poder de computação reduz o próprio suprimento de chips do Google, ao mesmo tempo em que fortalece rivais com capacidade limitada. O acordo com a OpenAI complicará ainda mais a forma como o presidente-executivo da Alphabet, Sundar Pichai, aloca a capacidade entre os interesses contrastantes dos negócios do Google nos segmentos empresariais e de consumo.
(Com Reuters)