A Petrobras prevê aportar R$26 bilhões na integração de atividades entre a sua refinaria em Duque de Caxias (Reduc) e o Complexo de Energias Boaventura, em Itaboraí, ambos no Estado do Rio de Janeiro, afirmou a presidente da estatal, Magda Chambriard, nesta quinta-feira.
O montante é parte de um investimento total de R$33 bilhões que a Petrobras prevê em projetos de refino e petroquímica no Rio de Janeiro, sendo R$29 bilhões da petroleira e R$4 bilhões da Braskem, e que será apresentado em evento na Reduc com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na sexta-feira.
“A refinaria Duque de Caxias é uma refinaria que tem uma capacidade produtiva em torno de 240 mil barris por dia e que será ampliada com a ajuda desse megaprojeto”, disse Chambriard, se referindo aos planos de integração, em coletiva de imprensa nesta quinta-feira.
Dentre as iniciativas, está prevista a ampliação da produção de diesel S-10, o mais consumido do Brasil, em 76 mil barris por dia (bpd), sendo 56 mil provenientes da troca de qualidade e 20 mil em capacidade adicional.
O projeto também prevê um aumento da capacidade de produção de querosene de aviação (QAV) em 20 mil bpd e de lubrificantes grupo II em 12 mil bpd.
Detalhes do Projeto
- Planta dedicada de BioQAV no Complexo Boaventura, com capacidade de produção de 19 mil bpd de combustíveis renováveis (Hydrotreated Vegetable Oil – HVO e Sustainable Aviation Fuel – SAF)
- Duas termelétricas a gás, também no complexo, para participação nos leilões de reserva de capacidade
O Boaventura (antes conhecido como Comperj) atualmente recebe gás natural do pré-sal por meio do gasoduto Rota 3 e conta ainda com a maior Unidade de Processamento de Gás Natural (UPGN) do Brasil.
O projeto de engenharia das duas termelétricas para o empreendimento, com 400 MW cada, foi aprovado e as unidades aproveitarão as sinergias com a infraestrutura da UPGN.
Ainda está em estudo um projeto de rerrefino de lubrificantes da Reduc, com capacidade de 30 mil metros cúbicos por mês (6,3 mil bpd).
Com a operação do Complexo Boaventura para a produção de lubrificantes grupo II, a Reduc poderá converter unidades existentes para rerrefinar óleos usados, aplicando o conceito de economia circular para gerar produtos de alto valor a partir de resíduos. O teste de coprocessamento já foi autorizado pela reguladora ANP e está previsto para ocorrer ainda este ano.
Chambriard ressaltou que os investimentos no Rio de Janeiro atendem a expectativas do presidente Lula, que espera que a companhia contribua com o crescimento do PIB do Brasil.
“Resumindo isso tudo, nós estamos falando da criação de 38 mil postos de trabalho no Estado do Rio de Janeiro”, disse a presidente da estatal.
“Nós já estamos nessa fase de pleno emprego. Para vocês terem uma ideia, já estão faltando eletricistas, caldeireiros, soldadores, todo esse arsenal de pessoal que nós utilizamos e mobilizamos para as nossas operações”, completou.
Descarbonização na Reduc e Petroquímica
Como parte de seus planos para descarbonização do refino, a Petrobras concluiu na Reduc o teste de produção do primeiro combustível de aviação com conteúdo renovável (SAF) por coprocessamento, alcançando até 1,2% de óleo de milho na fabricação do QAV.
A autorização pela ANP, segundo a companhia, já foi emitida e a produção comercial na Reduc terá início nos próximos meses, com capacidade de até 50 mil metros cúbicos por mês (10 mil bpd).
A Petrobras planeja ainda investir R$860 milhões para modernizar uma das duas termelétricas existentes na Reduc, substituindo equipamentos obsoletos de geração de vapor e energia elétrica, além de empenhar outros R$2,4 bilhões em paradas de manutenção da refinaria até 2029.
Executivos da estatal também reiteraram aportes da Braskem de R$4,3 bilhões para ampliar sua capacidade de produção de polietileno no polo industrial da empresa em Duque de Caxias.
(Com Reuters)