A produção industrial brasileira cresceu mais do que o esperado em agosto depois de quatro meses de fraqueza, mesmo com a entrada em vigor das tarifas dos Estados Unidos e em meio a um cenário de juros elevados no país.
Em agosto, a indústria nacional registrou avanço de 0,8% em relação ao mês anterior, resultado que ficou acima da expectativa em pesquisa de alta de 0,3%.
Esse foi o maior avanço mensal desde março, quando a produção das fábricas cresceu 1,7%. Nos quatro meses seguintes o setor apresentou queda da produção em três deles, sendo que em junho expandiu apenas 0,1%, e acumulou nesse período perda de 1,2%, segundo dados divulgados nesta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A pesquisa mostrou ainda que, na comparação com o mesmo mês do ano anterior, a produção teve recuo de 0,7%, contra expectativa de queda de 0,8%.
De acordo com o gerente da pesquisa, a base de comparação depreciada é um fator importante para entender o resultado positivo na comparação com julho, bem como o perfil disseminado de taxas positivas.
Houve menções nos questionários da pesquisa a impactos sobre a produção de alguns setores das tarifas norte-americanas sobre os produtos brasileiros que entraram em vigor no início de agosto.
“Isso a gente vê em madeira, estética, móveis e outros”, disse ele, afirmando no entanto que não é possível quantificar isso no resultado final. “Como o setor industrial vai se comportar até o fim do ano temos que ver”, completou.
Analistas consideram que os impactos do tarifaço sobre a atividade econômica brasileira como um todo devem ser moderados.
Mas o setor industrial brasileiro, segundo economistas, tende a seguir mostrando falta de tração este ano diante dos efeitos da política monetária restritiva, com a taxa básica de juros Selic em 15%, que dificulta o crédito e afeta decisões de investimentos.
Atividades Industriais
- O levantamento do IBGE mostrou que 16 das 25 atividades industriais pesquisadas tiveram aumento de produção em agosto, maior espalhamento também desde março deste ano.
- As influências positivas de maior destaque foram exercidas por produtos farmoquímicos e farmacêuticos (13,4%), coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (1,8%) e produtos alimentícios (1,3%).
- Entre as nove atividades que apontaram queda na produção, produtos químicos exerceram o principal impacto, com queda de 1,6%, interrompendo três meses consecutivos de crescimento.
Categorias Econômicas
- Entre as categorias econômicas, três das quatro apresentaram expansão em agosto — bens intermediários (1,0%), bens de consumo semi e não duráveis (0,9%) e bens de consumo duráveis (0,6%).
- Bens de capital registraram recuo de 1,4%.
(Com Reuters)