O primeiro mês da safra 2025/26 de cana-de-açúcar do centro-sul do Brasil registrou produtividade média (TCH) e concentração de açúcares na matéria-prima mais baixos, após um longo período de seca em 2024, de acordo com dados do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) publicados nesta quarta-feira. A TCH da colheita foi estimada em 72,7 toneladas por hectare, queda de 16,6% em relação à safra anterior (2024/25). Já o Açúcar Total Recuperável (ATR) médio somou 112 kg por tonelada de cana, um recuo de 3% em comparação ao ciclo anterior. Como consequência, o indicador de TAH (toneladas de ATR por hectare) na principal região produtor de cana do Brasil somou 8 toneladas, uma redução de 20% frente à safra passada, afirmou o CTC. A moagem de cana do centro-sul teve um início mais lento, mas deve se recuperar mais adiante na safra. A consultoria Datagro afirmou anteriormente que usinas brasileiras estavam adiando o aumento nos volumes de moagem no começo da temporada para dar mais tempo para a cana se desenvolver, já que as chuvas em abril foram favoráveis. Após uma queda em abril, a moagem do centro-sul deverá registrar nova redução, de 9,9%, na primeira quinzena de maio, segundo pesquisa com 23 analistas publicada pela S&P Global Commodity Insights, enquanto o mercado espera pela divulgação dos dados pela União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica) ainda nesta semana. Conforme o CTC, o déficit hídrico acumulado gira em torno de 300 mm, “valor considerado dentro da normalidade histórica”. O CTC afirmou que o risco de florescimento dos canaviais, algo que reduz a produtividade, é considerado baixo para esta safra, com maior probabilidade de ocorrência restrita ao Triângulo Mineiro e Goiás. Consultorias privadas, como a JOB Economia e Planejamento, tem afirmado que o Brasil deve direcionar mais cana para a produção de açúcar, gerando um aumento da fabricação do adoçante mesmo diante da expectativa de queda na moagem da matéria-prima. (Com Reuters)