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Queda na Produção de Açúcar e Etanol no Centro-Sul do Brasil devido a Condições Climáticas Adversas

  • 15/08/2025 - 11h40
  • Atualizado 1 ano atrás
  • 4 min de leitura

A produção de açúcar do centro-sul do Brasil somou 3,6 milhões de toneladas na segunda quinzena de julho, queda de 0,8% na comparação com o mesmo período do ano passado, pressionada por uma redução na moagem de cana-de-açúcar em momento em que o setor lida com uma matéria-prima de qualidade inferior e baixa produtividade agrícola, de acordo com dados da associação Unica, divulgados nesta sexta-feira.

A queda na produção de açúcar poderia ter sido ainda maior não fosse um aumento na destinação de cana para a fabricação do adoçante para 54,10%, versus 50,32% no mesmo período do ano passado, à medida que usinas favorecem a commodity em detrimento do etanol.

“Acredito que as usinas têm contratos de exportação (de açúcar) a honrar e estão lutando com a queda do ATR (Açúcares Totais Recuperáveis)”, disse um corretor nos Estados Unidos.

Já a moagem de cana do centro-sul atingiu 50,22 milhões de toneladas na segunda parte de julho, queda de 2,66%, em uma safra em que a indústria sofre com impactos da seca do ano passado e de um clima mais chuvoso durante a colheita, o que tem afetado a qualidade da matéria-prima.

No acumulado da safra, a produção de açúcar totalizou 19,27 milhões de toneladas, redução de 7,76%, enquanto a moagem atingiu 306,24 milhões de toneladas, retração de 8,57%.

O indicador de qualidade medido pelo nível de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) atingiu 139,62 kg por tonelada de cana na segunda quinzena de julho, uma queda anual de 5,21%.

No acumulado da safra, o indicador marca 126,85 kg de ATR por tonelada, registrando retração de 4,77% na comparação anual, para o menor observado em dez anos.

“Só no ciclo 2015/2016, registramos um indicador qualidade inferior ao contabilizado até o momento no centro-sul”, afirmou o diretor de Inteligência Setorial da Unica, Luciano Rodrigues, em nota.

Além disso, a produtividade agrícola registrou queda de 10% na média do centro-sul no acumulado de abril a julho, na comparação anual, segundo dados apurados pelo Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), atingindo 79,84 toneladas de cana por hectare neste ciclo.

Rodrigues disse que o setor vive uma situação atípica nesta safra, pois normalmente há uma relação inversa entre produtividade agrícola e qualidade da matéria-prima.

“Neste ano, o regime de chuvas foi desfavorável em ambas as fases críticas do ciclo da cana-de-açúcar. No verão, a precipitação abaixo do ideal comprometeu o desenvolvimento das lavouras e reduziu a produtividade (TCH). Já durante a colheita, o clima mais úmido prejudicou a concentração de ATR na planta”, disse.

Produção de Etanol

  • Na segunda metade de julho, a fabricação de etanol pelas unidades do centro-sul atingiu 2,28 bilhões de litros, com queda de cerca de 11% na comparação anual.
  • O total fabricado de etanol hidratado somou 1,40 bilhão de litros (-13,54%) e o de anidro, 880,40 milhões de litros (-6,57%).
  • No acumulado da safra, a fabricação do biocombustível totalizou 13,88 bilhões de litros (-11,96%), sendo 8,84 bilhões de etanol hidratado (-11,85%) e 5,05 bilhões de anidro (-12,15%).
  • Os volumes consideram o etanol de milho, cuja crescente produção somou no acumulado da safra 2,95 bilhões de litros.
  • No mês de julho, as vendas de etanol pelas usinas totalizaram 2,93 bilhões de litros, queda de 2,66%.
  • O volume comercializado de etanol anidro no período foi de 1,09 bilhão de litros, avanço de 1,06% na comparação anual, enquanto o etanol hidratado registrou venda de 1,84 bilhão de litros, contra 1,93 bilhão de litros no mesmo período do ano passado.
  • No acumulado desde o início da safra até primeiro de agosto, a comercialização de etanol pelas unidades do centro-sul caiu 2,73% para 11,48 bilhões de litros.

(Com Reuters)

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