BR Distribuidora adquire Targus

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BR Distribuidora adquire Targus (Foto: Pexels) BR Distribuidora adquire Targus

A BR Distribuidora anuncia, nesta quinta-feira, acordo para aquisição da comercializadora Targus Energia e passa, com este investimento, a atuar em um novo segmento: a comercialização de energia elétrica.

"Dentro de suas competências, a BR quer entregar a energia que o cliente quer consumir, no momento e na forma como ele quiser. Agora também como comercializadora, damos mais um passo para oferecer mais soluções para nossos clientes" afirma Rafa Grisolia, presidente da BR.

Para a aquisição de participação na Targus Energia, a BR irá desembolsar R﹩ 62,1 milhões entre primária e secundária, ao longo dos próximos 4 (quatro) anos e passa a ser a controladora da Targus com 70% das ações. A transação prevê ainda mecanismos de earn-out e opções de compra e venda dos 30% restantes.

O negócio ainda depende da aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), entre outras condições precedentes típicas neste tipo de transação.

A Targus iniciou sua operação com as atividades de compra e venda de energia no ambiente de contratação livre ("ACL") e expandiu para os segmentos de geração distribuída e gestão energética de consumidores e geradores no ACL.

Fundada em 2017, a Targus Energia possui cerca de 200 unidades consumidoras em sua carteira, tendo negociado 3,9 mil gigawatts-hora (GWh) em 2019, obtendo um faturamento próximo de R$ 900 milhões.

"Nosso crescimento é fruto da pluralidade técnica da equipe e do comprometimento com a gestão dos processos, contando com especialistas em comercialização, gestão de consumidores, regulação e modelagem do setor elétrico. Esta parceria criará o veículo de crescimento da BR no segmento de energia com uma plataforma integrada de soluções energéticas para a sociedade", diz Daniel Lima, sócio da Targus Energia.

O mercado livre de energia, que representa hoje cerca de 30% do consumo energético do país, tem amplo potencial de crescimento para os próximos anos. A BR pretende absorver essa oportunidade a partir da utilização de sua extensa rede de clientes, capilaridade comercial e estrutura financeira, somados à expertise e capacidade de execução dos sócios da Targus, que permanecerão na operação.

"Essa parceria com a BR fortalece e acelera os planos de ambas as companhias para os próximos anos. A energia será oferecida aos clientes da BR e a todos os consumidores do país, tanto na forma elétrica, através do ACL e de geração distribuída, quanto na forma de gás natural, com o desenvolvimento do Novo Mercado de Gás. Nosso objetivo será a redução de custos e o aumento da competitividade dos nossos clientes", afirma Thiago Natacci, sócio-fundador da Targus.

Com este investimento, a BR contará com um portfólio adicional de produtos de energia. Além do mix já atualmente oferecido e da venda propriamente dita, a BR oferecerá serviços relacionados ao mercado livre, produtos de geração distribuída para consumidores menores e eventualmente produtos e serviços relacionados ao futuro mercado livre de gás.

No mercado B2B, o portfólio da BR inclui aproximadamente 14 mil grandes clientes, em segmentos como aviação, transporte, produtos químicos e supply house, que poderão se beneficiar dessa nova empreitada.

O mercado livre de energia

Grandes indústrias, centros comerciais, hospitais, shoppings centers, entre outros, por consumirem uma quantidade grande de energia, podem recorrer ao mercado livre, ou ACL, em vez de comprar a energia das concessionárias de distribuição reguladas pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

Atualmente, apenas consumidores que possuem uma demanda contratada mínima de 500 kW podem acessar este mercado, o que se traduz em uma fatura mensal de energia de aproximadamente R$ 40 mil.

Este segmento traz diversos benefícios aos seus consumidores, entre eles a representativa redução nos custos com a conta. Também é possível, por exemplo, customizar seus contratos com fornecedores da forma que mais se adequar ao perfil de consumo de cada cliente.

Outra vantagem é a previsibilidade: os preços de energia podem ser fixados para o longo prazo e, portanto, os consumidores ficam menos expostos às naturais oscilações no preço.

O mercado livre de energia atingiu patamares históricos, com mais de 10 mil agentes registrados e cerca de 300 comercializadoras de energia. Além disso, está em discussão pelos agentes regulatórios novas regras que tendem a reduzir o consumo mínimo necessário para acessá-lo, representando uma excelente oportunidade de mercado.

(Redação – Investimentos e Notícias)