A Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu nesta terça-feira a prisão preventiva da deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) depois de a parlamentar ter deixado o país após ser condenada a 10 anos de prisão pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por envolvimento na invasão hacker dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
O pedido de prisão ocorreu no mesmo dia em que a deputada disse em uma live em uma rede social que está na Europa, o que foi confirmado por seu advogado no processo, Daniel Bialski, que posteriormente anunciou ter deixado a defesa dela.
Zambelli foi condenada pela Primeira Turma do Supremo no mês passado por, segundo o tribunal, ter adulterado documentos como certidões, mandados de prisão, alvarás de soltura e quebras de sigilo bancário, com o objetivo de prejudicar a administração do Judiciário e a credibilidade das instituições e gerar vantagens políticas para a parlamentar.
Um dos documentos falsos inseridos no sistema do Judiciário por meio da invasão hacker da parlamentar, segundo o STF, foi um mandado de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes.
Em entrevista ao canal do YouTube AuriVerde Brasil nesta terça, Zambelli afirmou que está fora do Brasil há alguns dias para realizar um tratamento médico e que vai pedir licença não remunerada do cargo de deputada federal.
“Vou me basear na Europa, eu tenho cidadania europeia e estou muito tranquila com isso”, disse ela, ao ressaltar que não está abandonando, mas resistindo ao que considera ser uma “ditadura” no país.
A parlamentar alega estar sendo vítima de uma “perseguição judicial”.
O pedido de prisão contra Zambelli foi encaminhado de forma física e em caráter sigiloso ao ministro do STF Alexandre de Moraes, que deverá decidir sobre a medida, informou a PGR.
Polêmica anterior
- Eleita deputada federal em 2022, Zambelli se envolveu em uma grande polêmica na véspera do pleito daquele ano.
- Ela foi filmada apontando uma arma de fogo contra um homem em um cruzamento na cidade de São Paulo, apesar de a legislação eleitoral proibir o transporte de armas perto do dia da votação.
- Ela também é ré nesse caso pelo STF.
- Em um dos vídeos do incidente que circularam nas redes sociais, Zambelli foi vista usando uma camiseta verde da campanha de Bolsonaro e apontando uma pistola para frente enquanto atravessa o cruzamento no bairro nobre dos Jardins, zona oeste da capital paulista.
O próprio Bolsonaro atribuiu a Zambelli sua derrota no pleito daquele ano. “Carla Zambelli tirou o mandato da gente. Ela tirou o mandato da gente”, disse ele em uma entrevista este ano.
(Com Reuters)