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Crise Humanitária em Gaza: Fome e Conflito Acentuam Sofrimento e Mortes

  • 22/07/2025 - 14h25
  • Atualizado 6 meses atrás
  • 5 min de leitura

O corpo sem vida de Yousef, de seis semanas de idade, jazia inerte em uma mesa de hospital na Cidade de Gaza, com a pele esticada sobre costelas salientes e um curativo onde um soro havia sido inserido em seu pequeno braço. Segundo os médicos, a inanição foi a causa da morte.

Ele foi uma das 15 pessoas que morreram de fome nas últimas 24 horas em Gaza, de acordo com os médicos, resultado de uma onda de fome que se abate sobre o enclave por meses.

A família de Yousef não conseguiu encontrar leite em pó para alimentá-lo, relatou seu tio, Adham al-Safadi.

“Não se consegue leite em lugar nenhum e, se encontrar, custa US$100 o pote”, disse, olhando para o sobrinho morto.

Três dos outros palestinos que morreram de fome no último dia também eram crianças, incluindo Abdulhamid al-Ghalban, de 13 anos, que morreu em um hospital na cidade de Khan Younis, no sul do país.

As forças israelenses mataram quase 60.000 palestinos em ataques aéreos, bombardeios e tiroteios desde que lançaram seu ataque a Gaza em resposta aos ataques do grupo Hamas, que matou 1.200 pessoas em Israel e capturou 251 reféns em outubro de 2023.

Pela primeira vez desde o início da guerra, autoridades palestinas dizem que dezenas de pessoas agora também estão morrendo de fome.

Gaza viu seus estoques de alimentos se esgotarem desde que Israel cortou todos os suprimentos para o território em março. Depois, levantou o bloqueio em maio, mas com novas medidas que considera necessárias para evitar que a ajuda seja desviada para grupos militantes.

Sabe-se que pelo menos 101 pessoas morreram de fome durante o conflito, de acordo com autoridades palestinas, incluindo 80 crianças, a maioria delas nas últimas semanas.

Israel, que controla a entrada de todos os suprimentos em Gaza, nega responsabilidade pela escassez de alimentos. O Exército israelense diz que “considera a transferência de ajuda humanitária para Gaza uma questão de extrema importância” e trabalha para facilitar sua entrada em coordenação com a comunidade internacional.

O governo israelense culpou as Nações Unidas por não proteger a ajuda que, segundo ele, é roubada pelo Hamas e por outros militantes. Combatentes negam o roubo.

Mais de 800 pessoas foram mortas nas últimas semanas tentando obter alimentos, principalmente por tiros disparados por soldados israelenses posicionados perto dos centros de distribuição de uma nova organização de ajuda apoiada pelos EUA.

As Nações Unidas rejeitaram esse sistema por considerá-lo inerentemente inseguro e por violar os princípios de neutralidade humanitária, necessários para garantir que a distribuição seja bem-sucedida.

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, classificou a situação dos 2,3 milhões de habitantes do enclave palestino como um “show de horrores”.

“Estamos vendo o último suspiro de um sistema humanitário construído com base em princípios humanitários”, disse Guterres ao Conselho de Segurança da ONU. “Esse sistema está tendo negadas as condições para funcionar.”

O Conselho Norueguês de Refugiados, que apoiou centenas de milhares de habitantes de Gaza no primeiro ano da guerra, disse que seus estoques de ajuda estão esgotados e que alguns de seus próprios funcionários estão passando fome.

“Nossa última barraca, nosso último pacote de alimentos e nossos últimos itens de ajuda foram distribuídos. Não sobrou nada”, disse seu diretor Jan Egeland. “Israel não está cedendo. Eles só querem paralisar nosso trabalho”, afirmou.

O chefe da agência de refugiados palestinos da ONU disse nesta terça-feira que sua equipe, assim como médicos e trabalhadores humanitários, estão desmaiando em serviço em Gaza devido à fome e à exaustão.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, disse nesta terça-feira que as imagens de civis mortos durante a distribuição de ajuda eram “insuportáveis” e pediu a Israel que cumpra as promessas de melhorar a situação.

Escassez

  • Homens e meninos carregavam sacos de farinha nesta terça-feira, passando por prédios destruídos e lonas na Cidade de Gaza, pegando os alimentos que podiam dos armazéns de ajuda.
  • “Não comemos há cinco dias”, disse Mohammed Jundia.
  • Segundo estatísticas militares israelenses divulgadas nesta terça, uma média de 146 caminhões de ajuda por dia entrou em Gaza durante a guerra. Os Estados Unidos consideraram necessário um mínimo de 600 caminhões por dia para alimentar a população de Gaza.
  • “Os hospitais já estão sobrecarregados com o número de vítimas de tiroteios. Eles não podem fornecer muito mais ajuda para os sintomas relacionados à fome devido à escassez de alimentos e medicamentos”, disse Khalil al-Deqran, porta-voz do Ministério da Saúde.
  • Deqran disse que cerca de 600.000 pessoas estavam sofrendo de desnutrição, incluindo ao menos 60.000 mulheres grávidas. Os sintomas entre os que passam fome incluem desidratação e anemia, disse ele.
  • A fórmula para bebês, em particular, está em falta crítica, de acordo com grupos de ajuda, médicos e moradores.
  • O Ministério da Saúde disse que pelo menos 72 palestinos foram mortos por tiros israelenses e ataques militares nas últimas 24 horas, incluindo 16 pessoas que viviam em tendas na Cidade de Gaza. O Exército israelense disse que não tinha conhecimento de nenhum incidente ou artilharia na área neste período.

(Com Reuters)

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