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Política

Israel Considera Expansão Militar em Gaza Após Falha em Negociações de Cessar-Fogo

  • 04/08/2025 - 14h45
  • Atualizado 1 ano atrás
  • 5 min de leitura

Benjamin Netanyahu vai reunir seu gabinete de segurança nesta semana para decidir sobre os próximos passos de Israel em Gaza após o colapso das negociações indiretas de cessar-fogo com o Hamas, e uma fonte israelense sênior sugere que o uso de mais força pode ser uma opção.

No último sábado, durante uma visita ao país, o enviado dos Estados Unidos para o Oriente Médio, Steve Witkoff, disse que estava trabalhando com o governo israelense em um plano que efetivamente acabaria com a guerra em Gaza.

Mas autoridades israelenses também apresentaram ideias que incluem a expansão da ofensiva militar em Gaza e a anexação de áreas do enclave destruído.

As negociações de cessar-fogo que falharam em Doha tinham como objetivo fechar acordos em torno de uma proposta apoiada pelos EUA para uma trégua de 60 dias, durante a qual seria levada ajuda humanitária para Gaza e metade dos reféns mantidos pelo Hamas seriam libertados em troca de palestinos presos em Israel.

Após uma reunião de Netanyahu com Witkoff, na última quinta-feira, disse uma autoridade sênior israelense, “estava emergindo um entendimento entre Washington e Israel” sobre a necessidade de mudar de uma trégua para um acordo abrangente que “libertaria todos os reféns, desarmaria o Hamas e desmilitarizaria a Faixa de Gaza” – principais condições de Israel para encerrar a guerra.

Uma fonte familiarizada com o assunto disse no domingo que a visita do enviado foi encarada por Israel como “muito significativa”.

Porém, mais tarde no domingo, a autoridade israelense sinalizou que a busca de um acordo seria inútil:

“Está surgindo um entendimento de que o Hamas não está interessado em um acordo e, portanto, o primeiro-ministro está pressionando para libertar os reféns enquanto pressiona por uma derrota militar”.

O Canal 12 de Israel citou nesta segunda-feira um integrante do gabinete de Netanyahu dizendo que o primeiro-ministro está inclinado a expandir a ofensiva e tomar todo o enclave palestino.

“CLAREZA ESTRATÉGICA”

O que uma “derrota militar” pode significar, no entanto, está em debate dentro da liderança israelense. Algumas autoridades israelenses sugeriram que Israel poderia declarar a anexação de áreas de Gaza como forma de pressionar o grupo militante.

Outros, como o ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, e o ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, querem que Israel imponha um regime militar em Gaza antes de anexá-la e restabelecer os assentamentos judaicos retirados por Israel há 20 anos.

O Exército israelense, que recusou tais ideias durante a guerra, deve apresentar na terça-feira alternativas que incluem a expansão para áreas de Gaza onde ainda não operam, disseram duas autoridades de Defesa.

Embora alguns líderes políticos estejam pressionando pela expansão da ofensiva, os militares têm a preocupação de que isso coloque em risco os 20 reféns que ainda estão vivos, explicaram as autoridades.

A Rádio do Exército de Israel informou nesta segunda-feira que o chefe militar Eyal Zamir está cada vez mais frustrado com o que ele descreve como uma falta de clareza estratégica por parte da liderança política, preocupado em ser arrastado para uma guerra de desgaste com militantes do Hamas.

Um porta-voz das Forças de Defesa de Israel (IDF, na sigla em inglês) se recusou a comentar, mas disse que os militares têm planos em mente.

“Temos diferentes maneiras de combater a organização terrorista, e é isso que o Exército faz”, disse o porta-voz, tenente-coronel Nadav Shoshani.

Na terça-feira, o Qatar e o Egito endossaram uma declaração da França e da Arábia Saudita delineando os passos para uma solução de dois Estados para o conflito israelense-palestino, que incluiu um apelo ao Hamas para entregar suas armas à Autoridade Palestina, apoiada pelo Ocidente.

O Hamas tem dito repetidamente que não entregará armas. Mas disse aos mediadores estar disposto a abandonar a governança em Gaza em favor de um órgão governamental não partidário, de acordo com três autoridades do Hamas.

O grupo militante islâmico insiste que um arranjo pós-guerra em Gaza deve ser acordado entre os próprios palestinos e não ditado por potências estrangeiras.

O ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Saar, sugeriu nesta segunda-feira que as lacunas ainda são muito grandes para serem superadas.

“Gostaríamos de ter todos os nossos reféns de volta. Gostaríamos de ver o fim dessa guerra. Sempre preferimos chegar lá por meios diplomáticos, se possível. Mas, é claro, a grande questão é: quais serão as condições para o fim da guerra?”, disse ele a jornalistas em Jerusalém.

(Com Reuters)

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