5 Fev – Uma lei de anistia que está sendo analisada pelo Legislativo venezuelano concederia clemência imediata a pessoas presas por participarem de protestos políticos e criticarem figuras públicas, devolveria os bens dos detidos e cancelaria medidas da Interpol e outras medidas internacionais contra as pessoas abrangidas pelo projeto de lei, permitindo que elas retornassem ao país, segundo uma minuta da lei vista pela Reuters nesta quinta-feira.
A lei, anunciada na semana passada pela presidente interina Delcy Rodríguez, levaria à libertação de centenas de pessoas em sua forma atual, mas ainda está em debate na Assembleia Nacional, controlada pelo Partido Socialista governista.
Rodríguez, que assumiu o cargo após os EUA capturarem e deporem o presidente Nicolás Maduro, tem cumprido as exigências dos EUA sobre acordos petrolíferos e o governo está lentamente libertando pessoas classificadas como presos políticos por grupos de direitos humanos e pela oposição do país.
Seu irmão Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional, deveria ler a introdução do projeto de lei de anistia em uma sessão nesta quinta-feira. Para ser aprovada, a lei precisa ser aprovada em dois debates.
A lei, em sua forma atual, não concederia anistia àqueles condenados por violações dos direitos humanos, crimes de guerra, assassinato, corrupção ou tráfico de drogas.
Crimes Abrangidos pela Lei de Anistia
- Instigação de atividades ilegais
- Resistência às autoridades
- Danos à propriedade
- Rebelião
- Traição
- Porte ilegal de armas
Esses crimes serão cobertos pela lei de anistia se tiverem sido cometidos no contexto de protestos políticos, segundo o projeto visto pela Reuters, incluindo protestos em massa que abalaram o país e levaram a mortes em 2007, 2014, 2017, 2019 e 2024.
As últimas manifestações, em 2024, ocorreram após uma eleição contestada que, segundo a oposição venezuelana e observadores internacionais, foi vencida pela oposição, mas o governo e as autoridades judiciais apoiaram Maduro, empossando-o para um terceiro mandato.
(Com Reuters)