Milhares de húngaros protestaram em Budapeste nesta terça-feira contra uma lei que visa proibir a marcha anual do Orgulho LGBTQ+, encarada por críticos como parte de uma repressão mais ampla às liberdades democráticas antes das eleições parlamentares de 2026.
O primeiro-ministro de direita Viktor Orbán, que enfrenta um forte desafio de um partido de oposição em ascensão antes da votação, criticou a comunidade LGBTQ+ e prometeu restringir o financiamento estrangeiro da mídia independente e de organizações não governamentais na Hungria.
Dominado pelo partido Fidesz, de Orbán, o Parlamento aprovou uma lei no mês passado para proibir a marcha do Orgulho, alegando que ela poderia ser prejudicial às crianças. No poder desde 2010, Orbán promove uma agenda conservadora cristã.
A lei autoriza a polícia a usar câmeras de reconhecimento facial para identificar pessoas que participarem do evento e impor multas, o que, segundo críticos, pode se tornar uma ferramenta para atingir oponentes políticos de Orbán.
Orbán disse que o fato de atos como o desta terça-feira poderem ser realizados significa que não há ameaça à democracia, chamando os protestos da oposição contra a nova lei de “provocação”.
No entanto, alguns manifestantes que participaram do protesto, o terceiro sobre as reformas de Orbná, expressaram preocupações sobre a saúde da democracia húngara mais de duas décadas após a adesão à União Europeia.
Preocupações Internacionais
Um grupo de embaixadas em Budapeste, incluindo países europeus, mas não os Estados Unidos, também expressou preocupação com as mudanças.
- “Nós, as embaixadas abaixo assinadas, estamos profundamente preocupadas com a legislação… que resulta em restrições ao direito de reunião pacífica e à liberdade de expressão”, disseram 22 embaixadas, incluindo as da França, da Alemanha e do Reino Unido.
Os organizadores do festival dizem que a marcha do Orgulho não representa uma ameaça para as crianças e planejam realizar o evento apesar da proibição.
(Com Reuters)