O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, um crítico do chair do Federal Reserve, Jerome Powell, visitará o banco central do país nesta quinta-feira, uma ação surpreendente que aumenta a tensão entre o governo e a autoridade monetária.
Trump tem criticado Powell repetidamente por não reduzir a taxa de juros dos EUA de forma agressiva, chamando-o de “idiota” na terça-feira e expressando publicamente o desejo de demiti-lo.
O presidente indicou Powell para liderar o banco em seu primeiro mandato, mas desde então tem se arrependido de sua escolha devido a divergências sobre os juros e a economia. Entre os mandatos de Trump, o presidente Joe Biden indicou Powell para um segundo mandato.
Para aumentar a ira de Trump, autoridades da Casa Branca têm acusado o Fed de gerir mal a reforma de dois prédios históricos em Washington, sugerindo supervisão deficiente e possível fraude. O diretor de orçamento da Casa Branca, Russell Vought, estimou o custo excedente em “US$700 milhões e contando”.
O vice-chefe de gabinete da Casa Branca James Blair disse nesta semana que autoridades do governo visitarão o Fed nesta quinta-feira, mas não disse que o presidente participaria.
Em um cronograma divulgado para a imprensa na quarta-feira, a Casa Branca disse que Trump visitará o Fed às 17h (horário de Brasília) desta quinta-feira, mas sem informar se o presidente encontrará Powell.
Uma autoridade do Fed não respondeu a um pedido de comentário.
As críticas públicas de Trump a Powell e o flerte com a possibilidade de demiti-lo já haviam perturbado os mercados e ameaçado uma das principais bases do sistema financeiro global – o fato de os bancos centrais serem independentes e livres de interferências políticas.
O secretário do Tesouro, Scott Bessent, disse na quarta-feira que o governo não está com pressa de nomear um novo chair para substituir Powell, cujo mandato como chefe do banco central termina em maio de 2026. Bessent disse que o governo provavelmente anunciará um sucessor em dezembro ou janeiro.
Normalmente, presidentes dos EUA se abstêm de comentar sobre a política monetária do Fed em deferência à autonomia do banco, mas Trump não tem seguido esse exemplo.
Trump tem dito que gostaria que o Fed cortasse a taxa de juros para até 1% da atual faixa de 4,25% a 4,50% para reduzir os custos de empréstimos do governo. Isso permitiria que o governo financiasse os déficits crescentes previstos em sua legislação de cortes de impostos.
Projeções do Fed
- Nenhum dos 19 membros do Fed vê os juros caindo tão baixo quanto Trump gostaria.
- Suas mais recentes projeções, divulgadas no mês passado, mostraram que a maioria espera que a taxa não caia abaixo da faixa de 3,25% a 3,50% até o fim do próximo ano.
O Fed se reúne na próxima semana e a expectativa é de que mantenha os juros na faixa atual. Operadores esperam que o banco central volte a cortar os juros em setembro.
(Com Reuters)